Sucessão de Maia paralisa os trabalhos da Câmara

Os candidatos à presidência da Câmara estão em campanha. A todo vapor. Com a impossibilidade dos encontros presenciais, o corpo a corpo foi trocado, como disse um deles, pelo ‘live a live’.

A cobiça pelo comando da Casa esvaziou a pauta de votação. Não há esforço para que temas e projetos relevantes como reforma tributária e agendas estruturantes contra a crise econômica avancem. No discurso, sobram boas intenções.

“A eleição da Mesa atrapalhou e muito o andamento dos trabalhos. Não se vota mais nada. Me deixa abismado. Na Câmara, nesse momento, só se pensa naquilo, na disputa da presidência”, disse o deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), um dos muitos postulantes ao lugar de Maia.

Do lado do governo, Arthur Lira (PP-AL) faz suas articulações, é o nome do Centrão e tem o apoio do Planalto. É um candidato forte.

Do lado de Rodrigo Maia, há um consórcio de candidatos. São 6 ao todo, excluindo o atual presidente da Câmara, que depende de uma decisão do STF para tentar novo mandato. Mas seus aliados juram ter ouvido dele que está fora do páreo.

Maia se reuniu com todos eles e aconselhou a escolherem um nome de consenso.

 Disseram q o próprio, numa reunião em sua casa, semana passada, pediu que decidissem em consenso um nome entre eles. Combinaram afunilar para 2 nomes, ouvindo os 209 deputados dos 6 partidos dessa frente.

“Quem tem 6 candidatos  não tem nenhum. Está todo mundo conversando com todo mundo. Não acredito que o Rodrigo seja candidato”, disse o deputado Elmar Nascimento, da Bahia, líder do DEM na Câmara. Ele está otimista nessa consulta interna do bloco.

“Se todo mundo cumprir o que está conversando comigo, serei o escolhido”, disse Elmar, que até acha haver chance de se votar a reforma tributária, para salvar o ano. 

Outro candidato ao cargo, Marcelo Ramos (PL-AM) reafirma o que postou num twitter dois meses atrás. 

“O ano legislativo acabou. No máximo, agora, é votar o Orçamento.

Sobre a disputa, diz que Rodrigo Maia “sempre verbaliza que não será”. Para Ramos, uma autorização para permitir nova eleição do atual presidente não seria bom.

Completam esse grupo de 6 o líder do MDB, Baleia Rossi, e os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Marcos Pereira (Republicanos-SP).